© Renata Mendes

O mar virou tapete. Nem mais o vento se atreveu a mexer naquele espelho de sal. O sal que se movia sem parecer, fluindo na vida que lhe vinha por dentro. O sol aqueceu tudo. Se fez brilhar em cada reflexo daquele tapete que pousava vida na sua profundidade, o inevitável fluir. 

Me deitei de costas no tapete, abraçada pelo salgado movimento que me deixou estável… E nele pude me soltar, elevando meus pés do chão. O fluxo da vida levou todo o peso das minhas costas e a entrega aqueceu meu coração. Soltei… 

Soltei o peso de todas as certezas absolutas. Soltei o arrepio que me dá de ver o passado querendo agarrar as mãos do presente. Soltei o suspiro de tudo que era real.

Deixei solto tudo que era para estar preso, só para ver no que ia dar. Me deixei soltar apesar da terrível dor que é relaxar quando não se sabe o que me espera.

Saber o próximo instante é tão prazeroso quanto ilusório. Por isso, soltei-o. Pois sei que ele vai chegar, como sempre chega, como um instante após o outro.

Peguei tudo aquilo que mais queria e joguei ao vento. Peguei tudo aquilo que não aquentava mais e joguei ao vento. Agora, espero o vento embaralhar tudo e ver o que ele me tráz…. Se são letras de esperança ou simplesmente mais um…

Espere e verás! Isso eu também não sei…

Por isso, soltei.