©  Renata Mendes

Com esses aplicativos para chamar táxi, já se começa a corrida com uma certa intimidade. Ele me chamando de Dona Renata, e eu o chamando de Antônio.

Brinquei que ele ficaria rico na época da Copa do Mundo por causa desse novo serviço. Depois, já emendamos com outro assunto: ele disse que se um dia fosse presidente do Brasil, só permitiria que as obras de reparos de gás e água fossem feitas de madrugada. Imagina só, Presidente do Brasil! Mas ele jogou a responsabilidade para mim, eu é que iria ser a presidente do Brasil. Neguei, claro, dizendo que não tinha capacidade de segurar esse rojão. Mas achava que precisávamos mudar o Brasil, começando pela transformação da mentalidade dos brasileiros.

O sábio Antônio disse que o problema estava na educação. Que hoje em dia as pessoas até estudam, mas que não são educadas, que não respeitam ninguém. Tudo isso ele percebe no seu escritório, ou seja, no táxi e na rua. Pessoas engravatadas, estudadas e completamente mal educadas. Não dão nem bom dia.
E na rua? Um querendo passar por cima do outro, bater boca, brigar…

Mas ele, não! Prefere ficar tranquilo, fingir que não é com ele, pois sabe que será o único prejudicado. Não quer terminar como alguns de seus colegas, em cadeiras de rodas por estresse. Seu médico lhe disse que o seu coração era de menino, limpo e sem gordura… E ele completou: sem mágoa e sem raiva também.

E para finalizar a sábia corrida, me contou uma história que leu em algum livro:
“Havia uma floresta pegando fogo e a formiga desesperada começou a pegar do rio uma gotinha d’água por vez para tentar apagar o incêndio. O elefante, vendo toda aquele cena, começou a debochar da formiga, dizendo que ela jamais conseguiria apagar o fogo com uma gota de cada vez. A formiga, inconformada, respondeu que pelo menos ela estava fazendo o que podia. E disse ao elefante que ele, com aquela tromba toda, ficava só olhando sem fazer nada. Que se ele ajudasse, os dois iram apagar o fogo muito mais rápido!”. Moral da história, pelas palavras do Antônio: temos que fazer a nossa parte, né, Renata?! Vai que alguém se inspira pelo que fazemos de bom e começa a fazer a mesma coisa…

Quando cheguei em casa, fui dormir com o coração tranquilo e esperançoso. Que este mundo tenha mais Antônios.