© Renata Mendes

A família Onda foi passar as férias no litoral do Brasil, onde a correnteza é mais quente. A mamãe Onda e o papai Onda planejaram tudo direitinho. Subiriam até a ponta norte, onde seriam levados novamente para longe de casa.

Foram muitos dias de viagem e encontros com os grandes bichos do mar. Mas a família permaneceu unida, inseparável. Chegando ao destino, o pequeno Ondinha, meio gorducho, se viu incomodado com tantas ondas atléticas, e por diversas vezes se escondeu na espuma do pai. Já sua irmã mais jovem, no auge da imprudência, quase se perdeu várias vezes durante o percurso.

Na noite anterior à chegada na Cidade Maravilhosa, o papai Onda recebeu uma ligação do trabalho e precisou se ausentar por vários dias, partindo na crista da onda. Na sua ausência as crianças fizeram uma farra batendo nas pedras sem medo de se quebrar, enquanto a matriarca só observava a inocente brincadeira de se jogar para voltar a ser o que era.

Quase no final das férias, papai Onda chegou com novidades. Mudariam de percurso na volta para casa e passariam um longo período em mar aberto, pesquisando sobre o comportamento das ondas. A mamãe Onda sorriu, rodando em voltas sem caber em si de felicidade. Sabia que dessa forma todos iriam entender que, além de onda, eram água, e livres.

O pequeno Ondinha, sem entender muito bem o que estava acontecendo, quis saber dos pais o que era amar aberto. Por alguns instantes os dois se olharam em silêncio e seus movimentos vitais pararam, transformando o oceano em um rio.

O pai disse, sem se mexer nadinha:

– Filho, amar aberto é o lugar onde o peixe pode ser peixe, o tubarão pode ser tubarão, as algas podem ser algas, as tormentas surgem e depois vão embora. Muitos o cruzam sem perceber, e ficam rodeando a superfície, procurando esse tesouro, mas só olham ao redor. Amar aberto é o que brilha dentro de cada um, até mesmo numa concha quando está fechada. E se você perceber isso, abriu o amar.

Os olhos do pequeno brilharam, e ele voltou a nadar.