© Renata Mendes

O horizonte do alto da montanha é uma expressão da vida. Lá de cima se vê tudo tão pequeno, tudo que vai além do horizonte chapado no chão, e fica evidente que o mundo é redondo. Também se veem os caminhos trilhados, e neles suor, desespero, fraqueza, coragem, e um pouco de teimosia para se chegar ao topo, do qual se ouve dizer que é lindo, mas nunca sabemos o quanto até chegarmos lá.

O horizonte do alto da montanha é um misto de atordoamento e maravilha com um toque de incredulidade. Tão lindo! De cima se vê todo o passado que te trouxe até aquele momento, e também todas as possibilidades dos novos caminhos a serem percorridos.

E estranhamente diante dessa imensidão você se sente pequena, e grande por ter chegado ao topo. É como se estivesse em comunhão com a vida. Sentir-se viva mesmo com a falta de ar. Sentir confiança suficiente para deixar todas as possibilidades se mostrarem dali para frente.

O desafio de subir qualquer sonho é deixar um pouco de si para trás para tornar-se o que precisa ser. Para apenas ser. E nesse passo vamos para onde jamais imaginávamos que chegaríamos. Uma combinação de suor com amor, de dedicação com questionamento. Vale cada gota, cada sorriso, cada bolha no pé e cada medo.

Sendo para sempre até que acabe.

Antes de sair por aí, acompanhada ou sozinha, paro no topo vida, me sento para ouvir o vento. Ele diz muita coisa. Capto somente o necessário para voltar a ter forças nas pernas e energia no coração.

Mochila nas costas e a imensidão do mundo inteiro pela frente. Caminho devagar para não perder nada, pois já aprendi que não percorro o mesmo caminho e nem as mesmas pessoas duas vezes. Nem a mim mesma.