© Luiz Geraldo Benetton

Não tenho palavras mais para dizer o quanto te amo. Perdi a forma, o jeito. Antes pulavam em minha consciência, hoje, fogem-me os versos, as rimas e os fonemas, como corcéis céleres nas areias das praiadisíacas. E eu que era bom em neologismos românticos, agora… nem meia palavra pra dizer que te amo.

Se me voltassem as ondas inspiradas em teu olor de jardim, em teu olhar aquecido, em teu suave e discreto jeito de curvar-se para me beijar, eu te diria seres perfeitamante, mulher para sempre mulher, musa de todos os poetas, deusa eternamente bela. Mas, não, não me vêm mais à cabeça tais floreios, emanações da pureza da tua alma feminina, misteriosa, secreta, obscuramente sedutora.

Que me resta agora, senão só lamentar não poder mais cantar teu esplendor, tua névoalva, teu perfume inebriante, não poder mais me embriagar dos teus néctares sublimes, deixar-me deitar em teu colo confiante, adormecer para mais um sonho encantado.

Não, nada mais me resta se não sei mais dizer o quanto te amo.

Quem me dera saber novamente te escrever versos e prosas, poemas e canções, anunciar meu amor pelos pontos cardeais, elevar tua imagem para perto do céu. Oh, que saudades do tempo que sabia dizer que te amo. Onde foi minha inspiração? Onde foram minhas imagens, meus desejos, meus sonhos? Tu continuas aí, sem nada mudar, sem nem sequer saber do meu vazio. Eu, pobre de mim, sem mais saber dizer a dimensão de meu amor por ti.

Ah, se eu pudesse mais uma vez exaltar tua beleza, tua graça, tua presença irradiante, se pudesse expor meu afeto pulsante, meu coração latejante, só pela tua existência, perceberias meu alívio em cessar minha agonia de não conseguir dizer o quanto te amo.

Que faço, então? Deixo-me derreter em silêncio, em mudo sofrimento, tortura limite? Ou revelo a ti a mais vergonhosa condição a qual cheguei, a vil posição de não mais saber expressar meu sentimento? Não sei o que fazer, reduzi-me a um néscio sem rumo, um aléxico afetivo.

Penso em entregar a ti essa confissão, esse desabafo, e rezar para que compreendas meu desespero em perder as palavras que tanto queria para dizer o quanto te amo.

Deixo sobre a mesa, entreaberta, convite a tua curiosidade. Resta-me esperar.