©  Luiz Geraldo Benetton

O romântico é, por definição, um distraído. Muito distraído. Desperdiça oportunidades porque crê no mito da cornucópia, as chances sempre voltarão.

Habita em uma nuvem de sentimentos e expectativas por ele mesmo criada. Não se conforma com as decepções seguidas obtidas pela defasagem entre seu mundo e a realidade; vive noutra esfera.

Não precisa ser ingênuo nem inocente. Isso não é necessário para conceituar um romântico, embora muitos tragam essas tendências embutidas, mas o que o caracteriza mesmo é o seu otimismo/pessimismo oscilantes a um ritmo passional retumbante. Tudo vai dar certo ou nada vai dar certo. Um dia o céu, outro o inferno, e dentro da maior certeza absoluta.

Não aprende com a experiência, ou melhor, aprende muito pouco; insiste em suas fórmulas mágicas, esperando que o mundo se converta às suas visões coloridas. Disfarça um discreto e sutil desprezo por quem não ressoa seu jeito de ver e sentir o mundo; se todos fossem românticos, que maravilha viver.

Atira-se desmioladamente em jornadas nas estrelas, nunca sabe se vai ter volta, aposta que o mundo é redondo e segue em frente, é o seu jeito de regressar.

Incorrigível nas suas escolhas, o critério é a ausência da razão pura, o que vale mesmo é o sabor do envolvimento, quer por uma causa, quer por uma pessoa.

Seu valor é a transparência. Nisso é o mais corajoso, pois, destemido, não hesita em morrer um pouco se valer a conquista, acredita sempre num renascer, em um novo momento de algum tipo de ideal se realizar. Sete vidas tem o gato, o romântico, muito mais. E as gasta prodigamente.

Ri ou chora com a alma do avesso, entrega-se sem temor, apaixona-se pelo incerto e insiste em ver sinais de vida em algo que não está mais lá.

Sonha com a união perfeita, com a eternidade numa taça de champagne. Seu tempo é transversal, fixa-o independentemente do fluxo que teima em perturbar seus devaneios. Fabrica então sua eternidade, sua própria dimensão, e celebra essa autonomia não sem sofrimento pelo caro preço a pagar por tal aposta.

Sua saudade, transpira sofrimento de ausência como ninguém. Atormenta-se pelo desencontro, demora a entender.

Houve uma época em que ser romântico era o valor definidor do caráter de um homem. Hoje a legião de remanescentes vive como zumbis maquiados disfarçando sua fragilidade. O clima atual é o do realismo virtual, da volatização dos momentos e do fast-tudo. Tempos difíceis.