© Luiz Geraldo Benetton

Trevas. Chove feio. Lá fora só breu. O dedilhar das gotas no telhado embalam meu sono e meu medo. Folhas dançam e simulam vultos ameaçadores, o uivo do vento sussurros fantasmagóricos.

Alguém bate à porta. Uma voz rouca e baixa insiste ansiosa. Não distingo o autor.
Meu arrepio de estimação me avisa. É fria. Hesito, hesito.

Resolvo acordar. Essa porra de pesadelo me visita noite sim, noite também. Sei que se trata de um conteúdo simbólico latente ainda não elaborado, mas se eu fizer uma lista não vou parar de escrever. Tenho que elencar o que mais me importuna, sento e tento alinhavar uns temas, mas esses trovões não param, me amedrontam, relâmpagos, a luz vai e vem, e o vento, sempre o vento, insiste em invadir pelas frestas da janela fechada, assoviando um sub-alarme.

De repente a parede racha, o teto trinca, tudo treme, terremoto, meu Deus, até isso está acontecendo nesse país, vai cair em cima de mim, rolo o corpo, caio da cama.

Era um sonho, ufa, parecia tão real. Levanto-me, meio zonzo, tudo gira cada vez mais rápido, a vista fica turva, não consigo focar mais nada, escuridão, cambaleio e desmaio.
Acordo em minha cama, calmo, tudo sereno, lindo amanhecer, pássaros gorjeando no meu retorno à lucidez. Belo dia de sol.

Mas, péra um pouco, o que estou fazendo neste corpo de barata?