©  Denise Faria

Pulo na página em branco como pulo de uma tirolesa muito alta sobre o cânion. Depois de dar a largada não há volta. A queda é iminente, mas espero uma plataforma segura no final da travessia. Durante o voo muita coisa passa pela cabeça, mas o pensamento recorrente é este: o que afinal estou fazendo aqui?

Coração acelerado e boca seca. Quero chegar ao fim mas começo a gostar da aventura. Quando enfim me deixo levar, encontro uma certa paz e aproveito a paisagem, olhando do alto, corajosa, a terra firme lá embaixo. A chegada já é visível.

Os que fizeram a travessia antes de mim, experientes aventureiros ou talentosos tarzans nascidos para voar com naturalidade, já aguardam na plataforma. Despem seus equipamentos de primeira linha e eu me uno a eles, tímida. Alguns me recebem com indiferença, outros, no entanto, são pacientes e atenciosos, perguntam sobre a experiência e querem saber se haverão outros pulos.

Estou certa de que ainda pularei em muitas páginas em branco, novas tirolesas radicais a desafiar meu medo, mas desde que a surpresa com o pulo se mantenha, valerá enfrentar.