© Chris Santos

Viajar, viajar, viajar, viajar. Se dependesse de Carolina, ela só falaria sobre isso todos os dias, por pelos menos umas 12 horas (nas outras 12, dormiria e faria as atividades essenciais). Fixação, paixão, emoção. Sentada na poltrona da sala de estar, estava sempre cercada de revistas de turismo. Saía de Aracaju, passava por Florianópolis, ia para a Croácia, Bariloche, Aruba, Nova Iorque e Paris. Dos 1.000 lugares para se conhecer antes de morrer, entretanto, Carolina já tinha visitado… nenhum.

Vivia em Pindorama, a terra das palmeiras, esquecida pelo tempo e pela vida, a não ser pelo carteiro que trazia suas revistas todos os meses. Ela tinha certeza de que percorrer outras paisagens era inspirador, mas suas pernas estavam limitadas pela cadeira de rodas e por uma família que criara raízes profundas e não alimentava a mesma vontade dela de viajar, viajar, viajar. Por qual lugar começar para atingir o seu desejo?

Medo do desconhecido fazia seus pais relutarem em pelo menos levá-la até Santos, Guarujá ou São Sebastião, quanto mais para o Azerbaijão. Seu passeio mais longo era às margens do rio São Domingos e, de vez em quando, ia apreciar as plantações de café. Cadê a grandiosidade do mundo? Lera uma frase, faz muito tempo: “Quem viaja muda a roupa da alma”, segundo Mário Quintana. Então, sua alma estava turva e maltrapilha. Vislumbrava o macambúzio destino de também criar raízes, feito um frondoso jatobá.

Cadê o gênio que iria lhe salvar?