©  Chris Santos

“Era uma vez”. Decidi usar esta frase clichê da literatura para narrar o meu primeiro conto de fadas. Mas, pensando bem, é muita pretensão achar que sei escrever este tipo de história, no estilo daquelas que nos encantavam nas coleções de livros e nos disquinhos verdes, que rodavam nas vitrolas quando eu ainda era criança. Seria eu capaz de me colocar no lugar da princesa?

Na infância de outrora, nem pensar em torcer pela vitória do Lobo Mau ou a favor da Madrasta, com sua mania de ser a mais bonita e sedutora do reino. O príncipe precisava ser valente, bonito, inteligente, rico, carinhoso e forte, para poder me carregar nos braços pela escadaria do castelo.

Eu, a pobre princesa, maltratada e sofredora, revelava toda a minha beleza, até então escondida pelo borralho das cinzas, ao toque do amor representado pelo homem de minha vida. Um nobre que segue sua aventura sem se abater pelas tempestades e armadilhas dos mais aterrorizantes vilões.

Hoje em dia, entretanto, os contos de fadas são mais criativos no encadeamento dos acontecimentos e no perfil de personagens. Tem até príncipe que é um ogro, mas ainda é um cavalheiro em seus sentimentos e no seu esforço de ir até terras distantes a fim de proteger a sua amada. Qual homem ainda está disposto a essa viagem?

Por mais que se queira o relacionamento perfeito do “seremos felizes para sempre”, a realidade contemporânea devora os sonhos delicados, engole o algodão doce e está com os ouvidos fechados para as súplicas do amor eterno.

Dona de seu destino, a princesa do século XXI sabe que pode seguir diferentes caminhos com suas próprias pernas e não precisa mais de colinho (por mais que queira esse chamego de vez em quando). Sim, a vida mudou e acho melhor deixar o conto de fadas para os romances de Nora Roberts.