©  Chris Santos

O horizonte já se encontra pintado por tons de laranja e amarelo. Ou seja, já está anoitecendo e, depois de ler um texto sobre comunicação, paro e reflito sobre o nosso empenho em expressar sentimentos, pensamentos e vivências por meio das palavras.

Há milênios o ser humano ultrapassou a fase de se utilizar dos sons guturais para falar – que, hoje, se resumem aos primeiros sons do bebê, que se mesclam ao barulho do choro, um esforço do recém-nascido de ser ouvido e atendido nos seus desejos e necessidades. A gente bem sabe a alegria de ver uma criança falar as primeiras palavras, mas também compreende que um mundo de aprendizado e interação se descortina depois que ela aprende a falar, cantar e discutir.

Algumas vezes, paramos para refletir também sobre o impacto da escrita e da criação do alfabeto nas transformações das relações humanas, do avanço do diálogo ou da falta de entendimento entre as pessoas num universo que se assemelha ao relato da Torre de Babel.

Usamos o alfabeto romano, mas existem muitos outros, como o grego, o japonês, o mandarim, o árabe – tantos idiomas e culturas. Bem que gostaríamos de dominar um pouco mais as palavras estrangeiras, ou quem sabe ver toda a humanidade falar a mesma língua, por adesão e não por imposição.

Dizem que as palavras são como sementes que se espalham pelos quatro cantos do mundo, o que parece supor que o planeta é um quadrado. Mas esta imagem é um formato que não condiz com a realidade de uma Terra circular, de palavras que vão e vem, que se movimentam incessantemente.

Ao parar para registrar algumas palavras neste meu texto, reconheço que essas palavras que utilizei vão ultrapassar as fronteiras do meu mundo para fazer parte de um momento na vida de quem está lendo esta reflexão agora.

Qual esperança será que me move? Me arrisco a dizer que a esperança de fazer as minhas palavras florescerem no terreno fértil da interação entre leitor e escritor. Seja como for, o céu já está tingido de preto, nada mais de cores intensas, e a noite vai seguir seu ritmo. Hora de voltar aos estudos e às atividades mais prosaicas, como a de preparar o jantar.