Descrever cheiros. Gosto disso. Posso até dizer que é uma mania. Acabo de ferver água para fazer um chá de gengibre com jasmim. Nada melhor em um far niente em plena quinta-feira. O cheirinho me lembra finais de semana no campo. Moletom, horta, viola, silêncio. Gosto deles. Cheiros que arrancam um sorriso da alma da gente. Saio na varanda com meu chá e sinto o perfume da lavanda que cultivo há tanto tempo, presente de uma amiga. Um sorriso pelas amizades.

Sigo pensando sobre os cheiros. Qual seria o cheiro do amor: doce? Ácido o do medo? Amargo o da dor? Cheiros e sabores. Cheios de lembranças.

Cheiro de rosas me lembra a Índia: na saída do aeroporto de Delhi, o saguão repleto de incenso de rosas em celebração a um dos deuses mais famosos do país, Ganesha, um elefante simpático. Toda vez que sinto esse cheiro, me transporto para lá. Todas as cores dos sarees misturados com os cheiros dos temperos, da espiritualidade e da confusão de pessoas. Cheiro de amor com curiosidade. Cheiro de caos e de conexão. Cheiro de yin e yang, cheiro de equilíbrio.

Cheiro de mar, salgado, fresco, úmido, liberdade, imensidão. Meus mergulhos no passado, aventuras, velas ao vento, saudosas tempestades. O mar tem cheiro de azul.

Café, aquela fumacinha brotando da xícara, pelando, pijama e chinelo, palavras ainda sem sentido, não dormi bem. Café é o perfume do lar. Menta é cinema em tarde livre, gazeta, aula cabulada, rir sem parar, correr feliz. A alegria exala menta.

Madeira é vinho maduro, taças cruzadas, brindes, sorrisos, esperanças, aroma que envolve e eleva, aproxima e seduz. O vinho é o cheiro do júbilo. Amêndoa desperta desejos íntimos, cumplicidades, laços entre braços, beijos e que mais. A sensualidade é amendoada.

Soninho, travesseiro, lençol, cama pronta ou rede com coberta, dormir tem cheiro de chocolate. BOA NOITE!

© Crônica coletiva com a participação de Veruska Zanetti, Renata Mendes e Luiz Geraldo Benetton