E se todos os dias fossem domingos ensolarados e não houvesse na semana mais nenhum dia útil? Imagino como seriam os meus, livres de rotina.

Começo com um café da manhã com panquecas cheias de nutella, bolo de chocolate quentinho com nutella, frutas com nutella. Como o pote todo. Afinal, domingo é o dia liberado da dieta. Saio para caminhar na beira da praia, calmamente, e sento para tomar água de coco e ver o tempo passar sem me preocupar com o hora.

Pego um livro daqueles não muito elaborados para me fazer companhia entre um mergulho e outro. Com a brisa e o barulho das folhas, o dia passa bem devagar.

Na volta entro na sorveteria e peco pedindo para encher de nutella o copinho. Discuto porque para mim a camada do creme está transparente e eu quero mais, mesmo que não venha acompanhado por bolas de sorvete. Quero mesmo é o canudo lotado de nutella, já que afinal a partir de agora todos os dias são domingos ensolarados.

Mas, e os sábados à noite? Quando saio com meus amigos, danço aquela música que me tira do ar, vejo pessoas diferentes e sinto a vida transpirando por todos os poros? Ok! Todos os dias serão sábado e domingo, resolvido!

Nesse ritmo vou perdendo a compostura, a silhueta, e começo a ter saudade das segundas, dia mais do que adequado para se comprometer com qualquer coisa: regime, retornar mensagens, arrumar o armário… e torcer pela chegada da sexta, que antecede o sábado das baladas e o domingo lambuzado de nutella.

Resisto firme e a saudade passa loguinho. Lá vou eu no meu devaneio almoçar até me empanturrar de frutos do mar, depois da sobremesa, claro. Já experimentou camarão caramelizado com nutella?

Bem, tudo pode quando a vida é sempre um domingo interminável e você tem todo o tempo do mundo para fazer a digestão. Não me acordem.

© Crônica coletiva com a participação de Veruska Zanetti, Marise H. Louvison, Renata Mendes, Denise Faria e Luiz Geraldo Benetton