A girafa tem quatro pernas finas que terminam em quatro patas pequenas para a proporção da sua altura. A cor que predomina é amarelo alaranjado, embora algumas áreas sejam destacadas em marrom. A cauda é longa, mas harmônica, onde surgem, ao final, alguns pelos dourados. O pescoço é longo com uma crina discreta. A cara se assemelha à de uma cabra e apresenta duas orelhas e dois chifres – pouco definidos e em diminuto tamanho para seu porte. O desenho dos olhos é bem delineado, ostentando pestanas volumosas. A boca, quando fechada, pode parecer reduzida, mas possibilita um grande ângulo de abertura, momento em que se veem na arcada dentária dois dentes coniformes, maiores que os demais. As narinas são sutis, assim como o bigode. Caminha, corre e senta com elegância. Tem certo charme quando agacha com aparente dificuldade para beber água no rio. Se a girafa pudesse ser um animal de estimação, compraria um tênis All Star azul no tamanho de suas patas e a levaria na garupa da minha bicicleta para passear na Avenida Paulista em dia de domingo.


 

A girafa não sabe voar. Também não é aquática, nem das profundezas da Terra. Embora não viva nas montanhas, está sempre nas alturas e despeja um olhar esnobe de desprezo a todos os seres que lhe são inferiores, e todos são. Não sabe caçar, impossível disfarçar sua presença, restou-lhe ser vegetariana. Come com facilidade, para beber água tem um trabalhão. Se emitisse som seria possível medir sua velocidade (do som, não da girafa). Aliás, é muito lenta ao andar, parece que vai cair, em um contínuo desequilíbrio. Dança muito mal. É a primeira que sabe que começou a chover. Masca chiclete sem parar, nunca vi uma bola. Dorme em pé, que não é boba.


 

Única em sua altivez desengonçada, quem primeiro a viu disse que parecia cruzamento da fêmea do camelo com um leopardo macho. Tem vida de top model: alta e magra, dorme pouco, quase nunca se deita, só come verdura, parece sempre serena. Up-to-date com a questão de gênero, em sua espécie não há preconceito, machos e fêmeas têm todos a mesma aparência.


 

De cima tudo parece menor, ao menos para uma girafa. Com seus passos suaves, tem a elegância de quem não se abala por qualquer coisa e um estilo peculiar, sempre na moda. Daquelas que vai vestida à padaria e, se quiser, também pode ir a uma sunset party. Até kajal usa nos olhos! A única característica com a qual a natureza foi um pouco ingrata: apesar do tamanho do pescoço, ela não alcança o chão para beber água. Quase abre espacate para suprir uma necessidade básica. Judiação, não acham?


 

Um arranha-céu do reino animal, com seu pescoço comprido e pernas igualmente longas, a girafa vive altivamente nas planícies africanas e observa tudo lá de cima de sua altura excepcional. Sua pele cheia de manchas alaranjadas inspira a criação de estampas de roupas a bichos de pelúcia, como se também pudéssemos ter a elegância moderna desse animal. Em sua cabeça, dois pequenos chifres se parecem com miniantenas que poderiam captar o barulho da vida selvagem, como o voo dos pássaros e o movimentos do inimigos. Silenciosa e rápida, a girafa tem um coração potente e enorme para fazer o sangue estimular a vida que pulsa naquele longo corpo de até 6 metros de altura. Quem é vegetariano pode convidar a girafa para saborearem juntos uma salada de folhas. Girafa, eu preciso dormir bem mais que você!


 

Sinto fome o dia todo. Quando criança me chamavam de Magali, na adolescência, período problema, meu apelido mudou para girafa. Talvez esse seja o motivo pelo qual eu tenha pouca simpatia por esse animal desengonçado. Veja só se não é mesmo um bicho esquisito. A girafa come aproximadamente 20 horas do seu dia, tem a língua com quase meio metro de comprimento e seu coração tem o peso de dois sacos de arroz, dos grandes! O pescoço, com mais de um metro e meio, possui somente sete vértebras, mesma quantidade de vértebras de um rato. Nasce com chifres, e são peludos! Dá à luz em pé. Imagine só o pobre bebe girafa, que já nasce com dois metros, sendo arremessado de uma altura de dois metros e meio… Não produz som audível aos nossos ouvidos e é o único animal que consegue alcançar a própria orelha com a língua. Girafa, eu?


 

No livro dos animais leio que a girafa abana o rabo para espantar mosquitos o dia inteiro. Mas com todo aquele tamanho será que esse rabicó dá conta de semelhante trabalho? Acho mesmo que ela o abana de felicidade, afinal, não existe animal à altura dos seus olhos meigos e dengosos. Passa o dia entre as árvores mastigando sua rica dieta vegetariana. Taí! Mais um sinal de felicidade. Até que pela gula se parece com alguns humanos… Nem para dormir se afasta ou se deita. Dorme encostada nas copas. A esperta dorme na própria despensa. Quarto e cozinha conjugados. Quer mais felicidade do que essa? Pensando bem, a girafa deve ser a autora da expressão “ficar na moita”. Também, sob o céu da savana não haveria outra condição de escondê-la. Será que é pra tomar conta do alimento ou ficar apenas na espreita? Espiã ou guardiã da savana? Muito esperta e feliz: quem tem, cuida.

© Textos de Marise H. Louvison, Luiz Geraldo Benetton, Denise Faria, Renata Mendes, Chris Santos, Veruska Zanetti e Patricia Marcela Gabborin