Chega um tempo na vida em que tudo fica mais claro. Mesmo que não se enxergue com total nitidez o que nos espera logo ali à frente, percebemos que nada é questão de sorte. Esse é o tempo de estabelecer limites norteadores, de afastar o que não serve, e algumas listas podem ajudar.

Coisas que me fortalecem: generosidade, amizade sincera, empatia, amor correspondido. Coisas para se evitar: falta de foco, mau humor, pessimismo, notícia ruim. Coisas que abomino: falsidade, preconceito e recusa ao diálogo.

Nesse exercício de colocar as coisas em seus lugares, a vida vai ficando divertida, com escolhas mais certeiras e outras de perder o sapato no meio do caminho. Quem já passou por elas provavelmente vai entender o que quero dizer. Andar por uma rua esburacada não é o problema, o problema só surge se não estamos com o calçado apropriado, ou quando perdemos de vez o sapato, que é muitas vezes melhor do que somente quebrar o salto e ficar manquitando por aí.

Para evitar mau humor e pessimismo, prefiro tirar o outro pé, solitário, e tocar o chão. Oh, sensação gostosa essa! Perder os sapatos e se sentir rico… de vida!

Contar com a sorte é sempre um risco, o melhor é ter mesmo um repertório de saídas criativas. Para cada contrariedade, uma reflexão e o vislumbre de soluções factíveis. A simplicidade tem o germe da genialidade. Se a vida me jogar decisões, vou até o fim. Fernando Sabino disse que a vida tem cem alternativas, uma opção e noventa e nove nostalgias. Na minha humilde opinião, acho que é um pouco mais: para cada decisão que redireciona a vida, é tudo ou nada. A vida como ela é tem limites precisos, a história não se apaga. Doce ilusão acharmos que algo pode ser esquecido, está tudo ali, no fundo da alma, compondo seu sabor.

© Crônica coletiva com a participação de Denise Faria, Renata Mendes e Luiz Geraldo Benetton 


Estamos sempre tendo novas ideias para as crônicas coletivas. Esta nos chegou pelas mãos da Marise num pacote de biscoitos da sorte comprados no bairro da Liberdade. Ao quebrá-los, nos deparamos com frases profundas, que nos alcançaram em cheio, principalmente por estarmos sensibilizados por acontecimentos recentes que marcaram nossas vidas, e também por esta convivência estimulante.

O desafio era que as mensagens – transcritas no final da página e identificadas por seu destinatário – se encadeassem formando um todo.

“Aquele que segue com convicção a bondade sente-se fortalecido por esta palavra.” – Denise

“Saber o significado da satisfação já é riqueza suficiente.” – Renata

“Abandonar algo pela metade é fracassar totalmente”. – Benetton