Ter opinião já foi coisa proibida: “Cala a boca, não quero palpite”. Também já foi feia: “O que vão pensar de você?”. E, principalmente, perigosa: “Ame-o ou deixe-o”.

Acho que isso explica a avalanche de opiniões de todos os tipos a nos soterrar hoje em dia. Tanto tempo silenciadas, as pessoas anseiam por se pronunciar, o que poderia ser motivo de comemoração, sinal de maturidade, possibilidade de evolução, diálogo, afinal. Só que não.

Nunca se quis tanto ficar no preto e branco, tirando toda a cor da vida. Se você gosta de filmes de Hollywood, então não pode ser intelectualizado. Se votou em fulano de tal, então você é coxinha caviar. E, claro, como não poderia faltar, em época de crise financeira todos são especialistas em Economia. O pior é que as opiniões normalmente chegam sem argumentos e sem o mínimo de pesquisa.

Sou da opinião, se é que alguém quer ler a minha, que cada um tem direito à sua. Porque opinião, assim como o pum, só é bom o nosso. E nem sempre é bom, apesar do alívio.

Mas tem louco que se alivia no pum dos outros, no calor da conversa se agarra a alguma opinião lançada só para ter ao menos uma. Vivemos tempos de arremesso de opiniões. Hoje o jogo da velha é jogado na world wide web: ‪#‎falei, ‪#‎disse, ‪#‎tôcontigo, ‪#‎tôdentro, ‪#‎tôfora. E as opiniões vão parar lá no raio que o parta. Aliás, a ideia é essa! Tem gente que além de ter opinião demais, ou roubar alguma, ainda tem que subir no palanque e vomitá-la, mesmo que isso imploda o cérebro alheio.

Seria preguiça de pensar? Colunistas surgem aos montes, com seus artigos rasos e seguidores cegos. Assuntos discutidos fora de um contexto, contexto fora da realidade, realidade fora de controle. Ninguém mais se preocupa em pensar antes de replicar opiniões, que seguem nas redes sociais feito telefone sem fio.

Gente, está faltando mesmo é humildade: só sei que nada sei. E quando penso que entendi, a realidade já mudou de novo… ‘Bora andar para a frente!

© Crônica coletiva com a participação de Denise Faria, Renata Mendes, Patrícia Gabborin e Marise H. Louvison