Faço e digo coisas das quais não gosto e nem me orgulho. Talvez eu pudesse dizer que se trata de um clone desumano que tomou o meu lugar. Mas estes são personagens que existem só na ficção. O que fazer? Aceitar quem eu sou com os meus defeitos, já que eu não sou você com a sua suposta perfeição.


Um ser só jamais poderá ser só você.


Há pouco tempo me dei conta de que se eu fosse você integralmente não seria ninguém. Dizem que temos em nós um pouco de cada um. Ou, por outra ótica, um pouco de todos em nós mesmos. Você já deve ter ouvido algo muito similar do seu terapeuta na interpretação de um sonho, não é mesmo? Então sugiro deixarmos de lado esses nossos distintos pontos de vista, e reafirmar o nosso laço e acordo. Afinal, algo em nós é parecido. E o resto… o resto é problema seu com os outros.


Você fica dizendo que vai mudar, que não vai ligar, que vão ter que te aceitar do que jeito que é, que não vai viver em função dos outros. Mas aí o cara vem com uma puta arrogância e diz uma merda qualquer que faz seu mundo cair. Quer saber? Se eu fosse você não duvidava nunca da sua capacidade, principalmente a de se reinventar.


Queria eu, de alguma forma, entender o que se passa na sua cabeça. Por que pisca tanto quando fala algo importante? E por que para de piscar quando discordam de você? Até parece louco! Mas acho que queria ser um pouco assim. Um louco que diz mais com os olhos do que com as palavras.


Se eu fosse você, seria mais eu.


Se eu fosse você, voltava pra mim (by Silvio Cesar), me perdoava de tudo, me enchia de beijos, abria um vinho e apagava a luz.

© Chris Santos, Marise H. Louvison, Patricia Marcela Gabborin, Denise Faria, Renata Mendes, Veruska Zanetti, Luiz Geraldo Benetton


Este conjunto de microcrônicas foi um desafio sugerido pela Marise. Empolgada com um curso de contos, ela nos apresentou um texto do escritor Ronaldo Bressane que falava do conto brevíssimo, que condensa personagem, espaço e tempo, e traz um sutil equilíbrio entre mistério e revelação. Mas, segundo ele, um microconto só não faz verão: é importante a noção de projeto.

Adoramos a possibilidade de criar as microcrônicas individualmente mas nos revelando como grupo, e escolhemos juntos o tema, combinando escrevê-las simultaneamente para observar se estávamos “afinados”. Você, leitor, é capaz de identificar qual a temática escolhida? Mande sua opinião pelo espaço de comentários deste post.