Obra é uma das coisas mais chatas pelas quais quase todo mundo, um dia, vai ter que passar. Direta ou indiretamente. Quem quiser ter uma casa com a sua cara, ou o escritório dos sonhos, vai ter que colocar a mão na massa. Recentemente, passei por uma obra das duas formas. A direta e a indireta.

Tudo começou com a doce ilusão de que seria rápido. Afinal de contas, era só colocar o piso, os armários, uma cor nas paredes e pronto.

Mas você sabia que se o contrapiso não estiver nivelado não é possível colocar o piso, mesmo com a aprovação de um técnico da empresa contratada para fazer a colocação? Pois é, essa foi a primeira descoberta de que nada, absolutamente nada, sairia conforme o planejado.

O pedreiro, por exemplo, não entendeu que a altura do balcão era maior que a normal, porque quem vai viver aqui é um pouco mais alto do que a maioria. Errou feio, e nem sabe onde pôs o papel que eu desenhei. Para evitar esse tipo de coisa, teria que parar de trabalhar e ficar olhando, ou contratar uma arquiteta, como devia ter feito desde o começo.

Existe até um ditado que diz que o casal que continua junto depois de duas reformas não se separa mais. Isso traduz bem o peso que é passar por esse martírio.

Hoje estive por lá para dar uma olhada, pela primeira vez num domingo, sem ninguém por perto. Assim que abri a porta e vi o piso assentado e as paredes pintadas, pude perceber com que intensidade a luz entra pela janela da sala e invade todo o cômodo, aquecendo o chão. Uma sensação de aconchego. Mas estamos no inverno, então resisto à tentação de imaginar como a minha casa nova vai ser no verão.

Ando tão envolvida com obras e mudanças que ainda não tinha olhado para esse espaço e realizado que ali, mais cedo ou mais tarde, vai ser o meu canto, onde vou me sentir em casa. Mas, até lá, o que me espera?

Definitivamente, um monte de coisas. Algumas eu anotei em uma lista de pendências no celular. Mas resolvi que vou me mudar mesmo que não esteja tudo pronto. Afinal, para se sentir em casa é preciso estar em casa, não é?

E como nem tudo é perfeito, recebi a não muito agradável notícia de que meu vizinho de cima vai começar a obra dele. Infelizmente, para mim, uma obra nada discreta e silenciosa, pois ele vai quebrar tudo.

Eu saio da obra, mas a obra não sai de mim! Deus, dai-me paciência. Amém!

© Crônica coletiva com a participação de Renata Mendes, Luiz Geraldo Benetton, Denise Faria